Nabi Youla Doumbia
Desde o fim da Guerra Fria, a insegurança dos trabalhadores humanitários tem vindo a aumentar. Estes enfrentam, por um lado, violência ambiental, associada aos contextos adversos em que trabalham, aos efeitos colaterais e a outros tipos de criminalidade predatória que se desenvolvem nas zonas de conflito; e, por outro, violência política decorrente do facto de serem rotulados por certos beligerantes como inimigos de guerra. As estratégias implementadas para reduzir esta vulnerabilidade produziram resultados mistos. Por um lado, melhoraram sucessivamente a segurança das agências da ONU, do CICV e das ONG internacionais; por outro, provocaram uma transferência de riscos para o pessoal nacional dessas ONG que, devido à estratégia de gestão à distância, se encontra na linha da frente em zonas perigosas, enquanto o pessoal expatriado, entrincheirado numa zona segura, supervisiona as operações. Existem soluções eficazes para reduzir ainda mais a vulnerabilidade dos trabalhadores humanitários, tais como a adoção do triângulo de segurança de Van Brandant, a separação da esfera política e a criação de uma ordem profissional que exclua do seu seio as ONG pouco éticas.